O Acordo Ortográfico

Em primeiro lugar, vamos por os pontos nos "is". Eu escrevo da maneira que fui ensinado, ou pelo menos, esforço-me por assim fazer. Eu fui ensinado a escrever o Português de Camões, de Eça de Queiroz, e de Sophia de Mello Breyner Anderson; não o Português das edições brasileiras de livros norte-americanos, ou o de Pepetela, ou nem sequer o de José Saramago. Não, eu não sei que raio é um "espetador", mas deve ter alguma coisa a ver com espetadas na brasa. É por isso que tenho imensa pena dos miúdos que estiverem a aprender a ler daqui a dez anos (entre outras razões): quando pegarem num livro de Ilse Losa publicado no século XX, vão ter tantos problemas com o Português pré-Acordo Ortográfico como eu tenho agora com o Português do Acordo Ortográfico. Imaginem se eu agora tivesse que fazer um ditado!

Mas quem é que em Portugal haveria de querer uma barbaridade destas? A resposta é, como em muitas ocasiões, "aqueles que lucram com isso". As editoras passam a poupar imenso dinheiro porque já não têm de corrigir Português dos PALOP para Português de Portugal. Devem pensar que são espertas, mas comigo é que não ficam a ganhar: eu recuso-me a escrever em Português do Acordo Ortográfico porque acho que é uma perfeita estupidez: toda a minha vida fui ensinado a escrever duma determinada maneira - até porque não conhecia outra maneira de escrever Português correctamente! As minhas notas na escola dependeram de como eu escrevia dessa maneira; e agora dizem-me que isso já não é a maneira correcta de escrever!? Devem estar a gozar comigo, só podem!

Espero que o caríssimo leitor tenha o quão indignado eu estou face ao acordo ortográfico. Por causa desse ultraje, até já desisti de ver o futebol na televisão: não quero ser considerado um "telespetador" por assistir aos jogos da selecção, que nem sequer têm sido grande coisa...

The End

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